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terça-feira, 4 de julho de 2017

#Artesanato - o desafio do reposicionamento.

Artesanato - o desafio do reposicionamento.

Analisando a desvalorização que sofre o artesanato e o artesão nos mais variados âmbitos, penso que um dos fatores mais importantes a ser revisto é o fenômeno da revolução industrial, como eficaz, em quase sua totalidade, elemento transformador da humanidade e da DEShumanidade.
Sem tecer comentários sobre os benefícios e malefícios de tal transformação, pois os aspectos a serem avaliados seriam muitos e aprofundados, volto meu olhar ao artesanato, pois é tema de meu interesse e foi extremamente afetado por tal revolução/transformação.
Tendo em vista que o ofício artesanal era feito por mãos habilidosas e profissionais que dominavam variadas artes e saberes, veio a revolução industrial, em detrimento deste Homem Fazedor e formador de aprendizes, com suas máquinas e necessidades de operadores obedientes para manter estas fábricas na ativa sem questionamentos, para, desta forma, atuarem quase como engrenagens (e como sabemos, engrenagens não questionam, apenas operam funções).
Desqualificar, desvalorizar, retirar de seu ambiente e criar uma atmosfera de rejeição ao profissional antes fortemente valorizado é, por conseguinte, necessário ao bom andamento da revolução que se fazia presente.
Tendo o apoio de fortes camadas sociais, o aparato da propaganda (e não se avalia aqui os moldes nos quais isso era feito) e a máquina avassaladora em forte crescimento e ampliação, o artesão foi sendo esmagado e desqualificado ao ponto de, até talvez, se envergonhar de seu ofício e talento.
Afinal, o que estava em voga, naquele momento, era a desmontagem de um modo de viver, quer seja no campo ou em pequenas comunidades, para formatar a vida urbana nos moldes da indústria, do chão de fábrica, do crescimento desta nova forma de viver, doesse a quem doesse.
E neste novo cenário não cabia o mestre artesão, a expressão e a criatividade. Ali se configuravam outras fórmulas.
Porém, sendo o animal humano um ser que, para viver e sobreviver, precisa suprir mais do que suas necessidades básicas de alimentação etc., e tendo este mesmo animal humano necessidade de expressar suas emoções, conhecimentos e habilidades para além do que está programado e formatado, quer seja econômica ou politicamente, desponta novamente o artesão como indivíduo que expressa o seu repertório interno por ofícios variados por necessidade profunda e intensa, mesmo que antagonizando com o status quo da imposição econômico social.
Portanto, sendo ou não valorizados, certos personagens ressurgem das cinzas, mártires de um processo esmagador, mas sobreviventes que precisam em suas artes e ofícios despontar como flores no deserto.
São estes os protagonistas do cenário que vejo no meio artesanal, séculos depois da revolução, ainda caminhantes errantes e incertos, temerários e titubeantes, mas seres que trazem lá dentro a necessidade que transborda e precisa encontrar meios de coexistir num mundo complexo e pouco acolhedor.
Muito se fez para coibi-los. Muito se fez para que deixassem de ser Mestres de seus saberes e formadores de novas gerações. Quase tudo contribuiu para sua extinção.
E mesmo assim, estão buscando seu lugar, novamente ao sol, pois a humanidade que carregam em si iluminam o restante como faróis em meio à escuridão.
E aqui vale salientar que me refiro ao ambiente Brasileiro, pois pouco posso falar das artes manuais em solos Europeus (por exemplo), mesmo me parecendo, ao longe, muito mais prósperos... talvez pelos séculos de maturidade e adversidades já vencidas e/ou ultrapassadas.
Reflito, então, que não se pode matar o animal criativo, mesmo que esmagando-o com força e retumbância. Pode-se, sim, desqualificá-lo e desvalorizá-lo, de modo que até se envergonhe de seus dons, tão lindamente dados pela natureza superior, mas, ainda que modestamente, ressurgirão.
Luto, em meus dias de sonho x realidade, para que estes Mestres de ofício possam, além de sobreviver, voltar a ter seu lugar de destaque numa sociedade mais harmônica com suas muitas criatividades e possibilidades.
No círculo continuo de mudanças e questionamentos, vejo novas gerações percebendo brechas e maneiras de se libertarem de moldes impostos.
E torço para que possam romper as amarras que ainda persistem no entendimento e compreensão de formas produtivas variadas.
Sigo na luta. E você, o que pensa de tudo isso?
Para entender um pouco mais e melhor o que foi a “revolução industrial” leia algumas referências interessantes:


Cristine Torchia – arte educadora, artista e artesã.
Apaixonada pelas artes manuais e comunicadora/incentivadora do #artesanato brasileiro.
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